A reprodução do Tucunaré

Ferramentas
Estilo

Quando se dá a implantação de uma barragem muitos peixes não conseguem mais se reproduzir, suas áreas de desova são inundadas pelo aumento do nível da água no reservatório ou em casos mais graves ficam impedidas de realizar a migração e reproduzir, principalmente quando a barragem não possui sistemas de transposição eficazes para realização do ciclo reprodutivo das espécies nativas.

Porém, outros peixes que não necessitam de áreas específicas de reprodução ou não realizam migração, encontram nesse ambiente, condições favoráveis para ocupar o lugar das espécies nativas da região, os peixes mais comuns a proliferarem nas represas são as traíras, piranhas, lambaris, outros peixes forrageiros e também o tucunaré, essa espécie em particular tem um processo reprodutivo singular e muito interessante.
 
Pertencente à família dos ciclídios ele possui desova parcelada, ou seja, desova uma pequena quantidade de ovos em determinado período de tempo.  Nesse grupo além do Tucunaré, a Tilápia, o Cará e o Apaiari ou Oscar, são os mais conhecidos.

O Tucunaré atinge a maturidade sexual com 1 ano de idade. No sul do Brasil, a desova ocorre geralmente de setembro a janeiro, dependendo do regime de chuvas e da temperatura da água, podendo acontecer várias vezes nesse período.

No início do período reprodutivo, o macho apresenta uma característica sexual secundária, atrás do seu occipital (testa), surge uma protuberância (cupim) de coloração avermelhada, neste momento, ele isola uma área propicia a desova, tornando-se agressivo em relação aos outros machos, eriçando os raios da sua nadadeira dorsal e saindo em perseguição aos seus prováveis rivais.

A área escolhida geralmente contém galhos ou pedras submersas, neste tipo de superfície e feita a delimitação do ninho onde serão depositados os ovos. Com o ninho definido, o macho inicia o ritual de acasalamento atraindo e nadando em torno das fêmeas, fazendo com que se aproximem do ninho, esse ritual se prolonga até que uma delas eleja o macho e o ninho, formando assim o casal. Neste momento, a fêmea passa a acompanhar o macho na vigília da área do ninho, perseguindo e espantando os demais peixes do local.

Depois da corte, a fêmea libera hormônios que promovem o amadurecimento dos ovócitos, quando eles estão maduros, a fêmea passa sobre o ninho e libera de 10mil a 45mil óvulos, dependendo da espécie, em seguida, o macho nada sobre o ninho e os fecunda com o seu sêmen. Essa movimentação dura de 1 a 2,5 horas, a postura se repete em intervalos de 30 segundos, até que a fêmea deposite todos os seus ovos e eles sejam fecundados pelo macho.

 Por serem adesivos, os ovos ficam presos a superfície onde foi realizada a postura. Após cerca de 78 horas as larvas eclodem, permanecendo no ninho de 85 a 95 horas após a eclosão, após esse período elas já tem capacidade para nadar livremente posicionando-se em cardumes pouco acima do ninho, nesta fase os filhotes são muito susceptíveis a ataques de predadores, por esse motivo, os pais guardam o ninho com extrema voracidade, afastando os intrusos, mesmo assim quando outro peixe consegue se aproximar do ninho, os pais rapidamente recolhem todos os filhotes para o interior da boca, mantendo-os em segurança,  livres do perigo.

 Conforme os filhotes crescem, eles abandonam o ninho e passam a nadar sempre em companhia dos pais, que atacam com voracidade qualquer predador que se aproxime, o casal permanece com a prole até que eles atinjam de 2 a 4cm de comprimento, com esse tamanho eles são abandonados pelos pais formando cardumes que se escondem na vegetação aquática. No período reprodutivo é importante que o pescador evite a captura desta espécie, pois a eliminação dos pais causa a morte de milhares de filhotes.
 
Seja você também um pescador cota zero, a preservação ambiental e o futuro da pesca esportiva depende do que fazemos hoje, preserve hoje para que seus filhos e netos possam praticar nosso amado esporte no futuro, sempre em contato com a natureza. 

 

Adicionar comentário

Os comentários não representam a opinião do Jornal/Portal do Iguassu, sendo de total responsabilidade de seus autores. Os usuários do Portal podem comentar os artigos e os comentários de outros usuários. Não há um limite preestabelecido de comentários por artigo, no entanto, os moderadores podem, a qualquer momento, encerrar os comentários, se um determinado artigo estiver causando discussão exagerada ou fora do assunto tema.
Palavra ofensivas, de baixo calão ou desrespeitosas, ocasionarão o bloqueio do IP do usuário. Usuários bloqueados, cujo acesso se der através de redes corporativas, provocarão o bloqueio de toda a rede, impedindo o acesso dos demais usuários. Uma vez bloqueado, o IP só será liberado após identificado o usuário que tiver infringido as regras de postagem.


Código de segurança
Atualizar