O tamanho mínimo de captura e a redução do tamanho dos peixes

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A Teoria da Evolução diz que atributos individuais específicos de cada indivíduo são definidos pelo genótipo, esse genótipo pode sofrer alterações que trazem vantagens para sobrevivência e reprodução dos indivíduos com características desejáveis

Já a seleção artificial atua de diversas formas modificando o “fitness” das espécies e acelerando o processo de modificação na população.
Normalmente a atividade pesqueira recai sobre determinadas espécies e dentro destas nos indivíduos maiores (tamanho mínimo de captura). Se a variabilidade genética dos indivíduos leva a alguma variação fenotípica, então a pesca pode levar a mudanças evolutivas, normalmente para pior.
Pesquisadores têm acumulado evidências sugerindo forte pressão seletiva e mudanças evolutivas rápidas em atributos de várias espécies de peixes.

Quem nunca ouviu alguém dizer numa pescaria, “Antigamente eu pegava peixes grandes, hoje só tem pequenos”. Com a introdução do tamanho mínimo de captura, peixes que crescem menos e mais lentamente reproduzem-se mais vezes que um indivíduo tem crescimento acelerado e consequentemente um maior tamanho final, causando uma espécie de nanismo na população.

No caso do Tucunaré azul, pesquisas mostram considerável variação de tamanho individual para cada idade, principalmente entre 2 e 8 anos.

Desta forma, temos peixes com 4 anos, apresentando de 27 a 45 cm, o tamanho mínimo de captura pela lei é de 35 cm, mas com 27cm ele já está se reproduzindo, fica claro que os peixes menores terão mais ciclos reprodutivos antes de atingir o tamanho mínimo de captura, que peixes maiores.

Essa variação de tamanho (fenótipo) pode ser causado por características ambientais (por exemplo, alimentação) peixes menores podem ter dificuldades de caçar ou por diferenças genotípicas.

Eliminando as grandes matrizes do ambiente, além da redução no tamanho médio da população, também contribuímos para uma redução considerável da fecundidade, pois peixes maiores produzem mais óvulos que peixes menores, e seu tamanho avantajado faz com que tenham melhor capacidade
de conseguir alimento e de cuidar da prole. Implantando o sistema de apenas medidas mínimas de captura, estamos privilegiando os exemplares menores, mais fracos e com menor fecundidade.

Medidas como introdução do tamanho máximo de captura podem atenuar essa seleção genética que privilegia os indivíduos mais fracos, mas em muitos casos, a introdução de leis proibitivas é a única solução para retomada dos estoques que após avaliação técnica podem ser explorados de maneira sustentável.

No estado avançado de deterioração de muitos ecossistemas, leis de cota zero podem ser a saída para não perdermos esse recurso natural tão valioso como a Pesca Esportiva. Com o avanço das tecnologias aplicadas na aquicultura, à criação de peixes é o caminho para fomentar o consumo sustentável dessa saudável fonte de proteína, sem prejuízo para o meio ambiente.

 

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