No Olho do Furacão - 01 de outubro de 2016

Ferramentas
Estilo

Avaliação do Usuário

Estrela ativaEstrela ativaEstrela ativaEstrela ativaEstrela ativa
 

Uma campanha recheada de erros e malandragens

Este artigo é redigido por um colunista, que o assina, invariavelmente orbita em torno de política, e por ser uma “coluna”, contém explicitamente a opinião de quem o assina, trazendo o ponto de vista do autor que pode, como o farei ao longo do texto, usar a primeira pessoa do singular ao escrever. Creio que estamos bem esclarecidos até esse ponto, não estamos? Pois bem, então, vamos ao assunto de hoje...

Em Cascavel já se tornou uma triste tradição que as eleições transcorram em meio a diversas situações muito mal explicadas, diria até que nebulosas, obscuras e cercadas de intenções nada republicanas, acordos escusos, acertos inconfessáveis, utilização de meios imorais e, não raro, ilegais, tudo com a nada velada intenção de atingir determinado objetivo, ou fim, independentemente dos meios que precisem ser utilizados para tal. E, os que assim agem, não conhecem a vergonha ou o constrangimento, quando são surpreendidos, flagrados, descobertos, enfim, “pegos com a boca na botija”, como se costumava dizer no interiorzão. Cascavel institucionalizou o orgulho pelo resultado, sem nenhum constrangimento pelos ardis e trapaças que tenham sido desvendados como as armas que permitiram chegar onde pretendiam aqueles que os operacionalizaram, seja a que custo tenha sido, não importando que meios tenham usado.

Nas eleições de 2008 foi assim, e assim se repetiu na de 2012. Embora digam que o brasileiro tem memória curta, estou certo que todos os cascavelenses recordam a entrevista concedida por Luiz Marcon, “estrategista” da campanha de Edgar Bueno, quando encheu o peito para vangloriar-se de como planejou e distorceu a verdade, inventando a mentira de que o candidato José Lemos não “moraria” em Cascavel, e a forma como criou uma falsa ideia de que este teria mentido à Justiça Eleitoral para garantir o registro de sua candidatura. Assim é Cascavel: na política, determinados grupos criaram o conceito do orgulho por tomar o Poder. Já se os meios utilizados para isso foram imorais, ou ilegais, isso não importa.

Pesquisas incompatíveis com um mínimo de profissionalismo

A menos de 24 horas do pleito de 2016, os mesmos métodos imorais são utilizados amplamente, com a divulgação de factoides de toda a espécie, na clara intenção de enganar o eleitor e “mudar de lado” pelo menos alguns preciosos votinhos. Afinal, não é de grão em grão que a galinha enche o papo? Também é de voto em voto que os espertalhões enchem a urna. Nas últimas quatro semanas foram divulgadas quatro pesquisas registradas no TRE, o que, em teoria, as torna “legais”. Mas, o que é uma pesquisa “legal”? Para o Tribunal Superior Eleitoral, é a que tenha obedecido às normas contidas na Resolução nº 23.453/2015. Essas determinações se restringem a registrar a pesquisa com cinco dias de antecedência à sua divulgação, informar o contratante, o valor e a origem dos recursos utilizados, e a metodologia, dentre outras informações de ordem técnica. E quem fiscaliza se é realizada com isenção e seriedade? Ninguém, absolutamente ninguém.

A prova disso, é que as quatro pesquisas divulgadas trazem, cada uma, pitorescos fatos que colocam em cheque sua credibilidade e isenção, tornando seus dados, no mínimo, passíveis de dúvida. A primeira e a segunda, foram realizadas pela DataSonda, que é a empresa contratada pela campanha do candidato Leonaldo Paranhos, do PSC. Uma por encomenda da CBN, de Jacy Scanagata, “dono” do DEM, Coligado com o PSC de Paranhos; e outra, pela Tarobá que, por força de lei está impedida de, em ano eleitoral, receber recursos da prefeitura, porém, seus donos não estão impedidos de receber aluguéis e, oportunamente, Edgar Bueno aluga o antigo prédio da Lembrasul, sem usá-lo por quase um ano, repassando soma vultuosa aos donos da emissora. Ambas as pesquisas, amplamente divulgadas, realizadas pelos contratados de Paranhos, o apontam como primeiro colocado. A terceira, foi realizada por um instituto desconhecido por encomenda de uma Rádio FM cujos proprietários são do PTB, partido coligado com... Leonaldo Paranhos. Nesta pesquisa em particular, o segundo colocado, o candidato do PPL, Marcio Pacheco, era apresentado com 18,16%, e os indecisos com 26,60%, contudo, ao se olhar o gráfico, era perceptível a troca dos percentuais, com o espaço destinado aos 18,16% de Pacheco, sendo visivelmente maior que o ocupado pelos indecisos. Por fim, a quarta pesquisa, realizada pelo instituto Exxata (que alega ter feito por conta e risco, sem contratação) foi apresentada aos entrevistados com o número do candidato Pacheco errado. Ao invés de 54, do PPL, trazia o 45, do PSDB do Governador Beto Richa e do vice de Edgar, Maurício Theodoro, ambos com ampla rejeição do eleitorado.

Todos esses fatos são, no mínimo, de causar estranheza, pois ou demonstram clara possibilidade de beneficiamento de Paranhos, ou óbvio prejuízo da candidatura de Pacheco.

A quem interessa que o povo acredite em uma vitória do PSC no primeiro turno?

Sinto muito, mas quem respondeu Paranhos, errou muito longe. Interessa a Edgar Bueno. E a lógica é muito simples. Edgar vai deixar a administração de Cascavel após longos oito anos, com uma vasta quantidade de licitações suspeitas, contratações estranhas, procedimentos de dispensa de licitação que merecem profunda análise, concessões de aditivos incontáveis e homologações e adjudicações de dezenas, talvez centenas, de empresas sem nenhuma condição técnica ou financeira de realizar as obras que lhes foram confiadas, pelo simples motivo de que foram apenas laranjas de outros. O Ministério Público, com todas as dificuldades e sem acesso às informações, tem promovido uma ação civil pública após a outra, e os processos contra o administrador da “Metrópole do Futuro” pipocam por todos os lados. Tudo o que o Bueno não quer, não precisa, e tem que evitar a qualquer custo, é que a prefeitura seja tocada nos próximos anos por um policial federal, ou por qualquer eleito que facilite o acesso aos processos, dando argumentos e fatos para o MP fundamentar as denúncias.

O problema, é que Edgar Bueno jamais permitiu que se criasse ao seu redor um nome de expressão, com a mínima viabilidade de enfrentar um processo eleitoral e garantir o direito de sentar na cadeira do terceiro andar do Paço. Seu vice, embora do partido do governador, dificilmente chegaria aos 2% de votos. E, dentre os demais, mesmo seus mais fiéis escudeiros, não há nome viável. A candidatura do “professor” Marcos Vinicius não passa de uma satisfação, com o objetivo de impedir que digam que o melhor prefeito do sul da Via Láctea não colocou na disputa um candidato “prata da casa”. Edgar tem um candidato viável, com o qual sempre manteve ligações, que já foi seu vice-prefeito, e não teria alcançado a viabilidade política sozinho. Sem o apoio, mesmo que oculto de Edgar Bueno, Leonaldo Paranhos sequer seria um candidato com viabilidade de chegar ao segundo turno, hoje.

Vejam bem: seu maior apoio, responsável por expressivo percentual de seus votos como deputado estadual, sempre foi o deputado federal Ratinho Junior, que deixou o PSC, indo para o PSD de Eduardo Sciarra. Sciarra, por sua vez, sempre sonhou em o partido assumir a prefeitura de Cascavel e, com a chegada de Ratinho Junior, pela primeira vez na história, Jorge Lange se tornou um nome com potencial para uma candidatura. Porém, Edgar tinha um compromisso assumido por Richa, de retribuir o apoio que o pedetista lhe deu contrariando o interesse de seu partido, apoiando nessas eleições seu candidato. Edgar acertou com o governador e com Ratinho Junior a retribuição, em forma da retirada da candidatura de Lange, que passou a ser vice de Paranhos. Ratinho Junior, então, que saíra do PSC, apoia o candidato de seu ex-partido, aceitando abrir mão da candidatura própria. Estranho, não? Não, nem um pouco. Edgar precisava um candidato viável, com chances de ganhar as eleições, mas carente de apoios de expressão e condições financeiras para a campanha, e com o qual tivesse a necessária “intimidade” para ter em troca o compromisso de colocar uma pedra no passado e não mexer em nada da administração da “Metrópole do Futuro”.

Mas, há ainda um outro motivo para que Edgar deposite em Paranhos o seu apoio, velado no primeiro turno, e que deverá se escancarar já na segunda-feira: o prefeito de Cascavel não acredita na capacidade administrativa nem de Paranhos, menos ainda de seu grupo. Na opinião dele, os próximos quatro anos, se administrados pelo candidato do PSC, serão um absoluto desastre, o que lhe permitirá, em 2020, lançar a candidatura do filhote, o deputado André Bueno, como “salvador da pátria”, que reconstruirá a cidade destruída nos anos que se passaram.

Esse artigo, evidentemente opinativo, poderia se estender mostrando todas as ligações dos apoiadores do candidato do PSC com Edgar Bueno, mas se eu já estou cansado de escrever, provavelmente o leitor já esteja cansado de ler...

 

Adicionar comentário

Os comentários não representam a opinião do Jornal/Portal do Iguassu, sendo de total responsabilidade de seus autores. Os usuários do Portal podem comentar os artigos e os comentários de outros usuários. Não há um limite preestabelecido de comentários por artigo, no entanto, os moderadores podem, a qualquer momento, encerrar os comentários, se um determinado artigo estiver causando discussão exagerada ou fora do assunto tema.
Palavra ofensivas, de baixo calão ou desrespeitosas, ocasionarão o bloqueio do IP do usuário. Usuários bloqueados, cujo acesso se der através de redes corporativas, provocarão o bloqueio de toda a rede, impedindo o acesso dos demais usuários. Uma vez bloqueado, o IP só será liberado após identificado o usuário que tiver infringido as regras de postagem.


Código de segurança
Atualizar