Consórcio Sorriso também pagava mensalinho para vereadores de Foz

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FOZ DO IGUAÇU - PR - O Consórcio Sorriso, que venceu a licitação para explorar o sistema de transporte coletivo de Foz do Iguaçu também molhava a mão de alguns vereadores para aprovar projetos e defender os interesses das empresas. A revelação foi feita pelo procurador da República, Alexandre Halfen da Porciúncula durante a coletiva realizada nesta sexta-feira (17) na sede da Polícia Federal.

“Havia um pacto entre o Consórcio Sorriso e o prefeito Reni Pereira. Nesse pacto, teria sido ajustado que determinados benefícios às empresas seriam votados na Câmara de Vereadores. Em troca disso, o Consórcio Sorriso aportava valores ao prefeito que repassava uma parte aos vereadores. A partir de um momento, o prefeito determinou ao secretário Carlos Budel que pegasse o dinheiro para repassar aos vereadores”, afirmou o procurador.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal possuem documentos e gravações telefônicas que comprovam o repasse desses recursos. O ex-secretário Carlos Budel, também deve ter revelado detalhes de mais essa negociata em seu acordo de delação premiada. Em breve, os donos das empresas deverão ser chamados para prestar esclarecimentos.
Budel foi presidente do Foztrans, instituto responsável pelo controle e fiscalização do transporte coletivo da cidade. Como a propina corria solta, é evidente que a fiscalização era frouxa, mole, lenta e macia, bem como os barões do transporte coletivo gostam. Justamente por não ter uma fiscalização rigorosa, o transporte coletivo virou um caos, com reclamações generalizadas.

O dinheiro que o Consórcio deixa de investir na qualidade do serviço e no conforto dos passageiros ia para o bolso dos vereadores, segundo o Procurador da República

“Foram quatro ou cinco fatos que teriam de ser votados pela Câmara de Vereadores em relação ao transporte coletivo, todos beneficiando o Consórcio Sorriso em troca do repasse de dinheiro”, acrescentou Porciúncola. Uma série de documentos foram apreendidos na sede do Foztrans, que poderão revelar o sistema de fiscalização e omissão do órgão em relação ao consórcio.

É muito provável que a Polícia Federal e o MPF solicitem cópias de uma CPI que os vereadores abriram para investigar o transporte coletivo na cidade. A CPI foi aberta em 2013. Fizeram audiência pública, nomearam comissões, fizeram debates acalorados, criticaram o sistema de transporte coletivo, mas no fim a CPI virou em pizza. Quem garante que o Consórcio Sorriso não calou os vereadores?

O Consórcio Sorriso é composto pelas empresas: Rafagnin Transportes; Transportes Urbanos Balan; Transportes Coletivos Pérola do Oeste Ltda.; Gatti & Weigand Transportes; e Viação Cidade Sorriso, e venceu a Concorrência Pública nº 005/2010 realizada pelo Departamento de Compras da Secretaria Municipal de Administração da Prefeitura de Foz do Iguaçu em 2010.

Foto: Arquivo JI

 

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