Vereadores presos em Foz guardavam armas, reais e dólares em suas casas

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FOZ DO IGUAÇU - PR - Durante a coletiva na sede da Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (15) delegados e procuradores da República explicaram em detalhes como funcionava o esquema para que o prefeito afastado, Reni Pereira, garantisse a ampla maioria na Câmara de Vereadores e, assim, pudesse aprovar os projetos de seu interesse para manter esquemas de corrupção com as empreiteiras identificadas como participantes na Operação Pecúlio.

Além de celulares, computadores e documento, a equipe da Polícia Federal também apreendeu na casa dos vereadores armas e dinheiro. O procurador Alexandre Halfen da Porciúncola não revelou os nomes dos vereadores, no entanto, informou que na casa de um vereador foi apreendido R$ 50 mil, em outra R$ 20 mil e numa terceira US$ 14 mil.

A operação deflagrada nesta manhã faz parte da 5ª fase da Operação Pecúlio, e foi denominada de Nipoti, em referência a nepotismo. O principal objetivo foi desarticular um grupo de pessoas que praticavam irregularidades na Prefeitura e na Câmara com a intenção de obter vantagens pessoas.

A operação começou ao amanhecer do dia. Foram utilizados aproximadamente 150 policiais, que cumpriram 78 mandados judiciais, dentre os quais 20 de prisão preventiva e oito de prisão temporária, 11 de condução coercitiva e 39 de busca e apreensão em residências e locais de trabalho. Além de Foz do Iguaçu, os mandados foram cumpridos em Cascavel, Curitiba, Colombo, Maringá, Pato Branco, Recife e Brasília.

As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Vara da Justiça Federal de Foz do Iguaçu (PR), fundamentadas em diversos indícios e informações colhidas em colaborações premiadas obtidas ao longo das investigações e fases da Operação Pecúlio, em um trabalho conjunto da Polícia Federal com o Ministério Público Federal.

Segundo Porciúncola, a investigação para apurar o nepotismo e o mensalinho, vinha ocorrendo paralelamente com a Operação Pecúlio. "Nós já detectamos no final da primeira fase da Operação Pecúlio sérios indícios de que vereadores eram beneficiados com repasse mensal de valores. Ou seja, além de cargos comissionados na prefeitura e empregos em empresas terceirizadas, havia o repasse de R$ 10 mil reais para alguns vereadores", afirmou.

"Outros vereadores eram aquinhoados com R$ 5 mil e mais uma diretoria ou cargo na prefeitura. Tudo isso para que houvesse apoio político ao grupo que estava na prefeitura e para que alguns vereadores de oposição fizessem o que chamamos de 'oposição mitigada', uma oposição não muito aguerrida contra o governo”, acrescentou o procurador.

Agora, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal ouvirão os depoimentos dos presos. É certo que uma parte dos vereadores recebia “mensalinho” e cargos tanto na Prefeitura, quanto em empresas terceirizadas. Outros, apenas mantinham cargos. Para esses, as penas serão mais leves, de acordo com o que informou a PF.

O delegado Fabio Tamuri disse que as investigações irão prosseguir e não estão descartadas novas prisões, já que os celulares e documentos apreendidos podem indicar o envolvimento de outras pessoas.

Os procuradores da República, Adriano Bagio Gasperian e Alexandre Porciúncola participaram da coletiva ao lado dos delegados Fabio Tamuri e Mozart Person Fuchs

Veja quem foi preso pela Polícia Federal:

VEREADORES
Beni Rodrigues (PSB) - prisão temporária
Zé Carlos (PMN) - prisão temporária
Anice Gazzaoui (PTN) - prisão preventiva
Darci "DRM" (PTN) - prisão preventiva
Edílio Dall’Agnol (PSC) - prisão preventiva
Fernando Duso (PT) - presidente da Câmara - prisão preventiva
Hermógenes de Oliveira (PSC) - prisão preventiva
Luiz Queiroga (DEM) - prisão preventiva
Marino Garcia (PEN) - prisão preventiva
Coquinho (SD) - prisão preventiva
Paulo Rocha (PMDB) - prisão preventiva
Rudinei Moura (PEN) - prisão preventiva

EMPRESÁRIOS E SERVIDORES
Patrícia Foster - ex-presidente da Fundação de Saúde
Gilber da Trindade Ribeiro (que já cumpre prisão domiciliar) - ex-secretário de Saúde
Luiz Carlos Alves, o “Cau”, que também já era réu na Pecúlio - ex-diretor de Finanças da Prefeitura
Mohamoud Jomaa - dentista
Ademilton Telles - escrivão da Polícia Civil
Luiz Pereira - empresário
Juarez da Silva Santos - ex-secretário
Ricardo de Andrade - diretor da Câmara de Vereadores de Foz do Iguaçu
Diego Souza - assessor da deputada estadual Claudia Pereira
João Matkievicz - ex-secretário do Meio Ambiente
Chico Noroeste - ex-secretário e ex-deputado estadual
Paulo Gorski, empresário e ex-presidente da Cettrans e ex-secretário municipal de Obras de Cascavel
Paulo Gustavo Gorski Júnior - empresário.

O procurador Alexandre Porciúncula disse que Patrícia Foster foi presa por sonegação de informações e por ter autorizado pagamentos privilegiados durante o período que presidiu a Fundação Municipal de Saúde. O delegado Mozart Person Fuchs afirmou que as investigações prosseguirão não apenas na Fundação, como em outras áreas.

Um dos empresários presos em Recife, cujo nome não foi divulgado para não prejudicar as investigações, participa de uma grande empresa que prestava serviços para a Prefeitura. Ele chegou na sede da PF por volta das 8 horas, e em seu poder foram apreendidos celulares e documentos.

De pijama

Diversos vereadores foram acordados e ainda vestiam pijama ao atenderem a Polícia Federal em suas portas. O vereador Paulo Rocha estava com os cabelos despenteados. Ele foi filmado pela Rede Massa sentado em uma mesa, ainda com cara de sono. Rocha tinha seu filho nomeado como diretor na Prefeitura e foi pego em uma das gravações da Polícia Federal, fazendo pressão para o secretário Sérgio Beltrame nomear um cabo eleitoral.

Paulo Rocha parecia meio atordoado, enquanto o policial federal lia o mandado de prisão para o parlamentar (Foto: Márcio Neves - Rede Massa)

Fotos: Silvio Palmieri

 

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