Delação de Budel compromete Mogênio com o “mensalinho” dos vereadores

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FOZ DO IGUAÇU - PR - A delação premiada do ex-secretário de Obras, Carlos Budel, aperta ainda mais a corda no pescoço do prefeito afastado Reni Pereira e compromete diretamente o vereador Hermógenes (Mogênio) de Oliveira, líder de Reni na Câmara por mais de três anos. Budel confirmou tanto em sua delação, como no depoimento à Justiça Federal, feito na sexta-feira (11) que tão logo assumiu a Secretaria de Obras foi obrigado a conseguir recursos de obras superfaturadas para pagar o chamado “mensalinho” de alguns vereadores.

Segundo Budel, o dinheiro era insistentemente cobrado por Mogênio e tinha a concordância do prefeito afastado Reni Pereira. A maior parte dos recursos destinados ao “mensalinho”, vinham de “medições a maior”, principalmente das empresas do empresário Nilton João Becker, dono da SR.

Em 15 de dezembro, Budel confirmou ter pego R$ 100 mil que foi utilizado para pagamento do mensalinho dos vereadores. Ele não pegava parte da propina porque tinha medo que Reni desconfiasse, uma vez que o prefeito afastado “tinha uma pulga atrás da orelha”, com ele. O ex-secretário confessou, no entanto, que em uma única vez pegou R$ 8 mil do diretor de Obras, Girnei Azevedo, “para uso pessoal”.

Budel não apontou os nomes dos vereadores que recebiam o “mensalinho”, nem a importância paga a cada um. O MPF conclui que esse “mensalinho” era destinado a determinados vereadores para que estes votassem projetos de interesse do prefeito e em prol da organização criminosa.

Em sua delação premiada, o empresário Fernando Bijari diz que tão logo Girnei Azevedo assumiu como diretor de Pavimentação ele o procurou dizendo que a partir de então as medições do serviço de tapa-buracos seriam “realizadas a maior, ou seja, mais do que realmente executado, e esse excedente fictício, após ser pago pela prefeitura à empresa Ativa, deveria ser repassado para ele (Girnei), para pagamento ao prefeito e vereadores, em uma espécie de “mensalinho” no valor de R$ 10 mil reais mensais para cada vereador”.
O empresário Nilton João Beckers, outro delator da Operação Pecúlio e que está em liberdade provisória, também era engenheiro responsável da Ativa Obras e Serviços. No depoimento, ele confirma que em determinado momento da execução do primeiro contrato da operação tapa-buracos, Girnei passou a solicitar valores a serem pagos a pedido do "chefe", o prefeito Reni Pereira.

Sobre o segundo contrato do tapa-buracos, Bijari disse “que houve várias solicitações de propina por parte de Girnei Azevedo, que os valores pagos a títulos de propina eram de cerca de R$ 25 mil a R$ 35 mil, que os valores das propinas eram acrescidos no valor da medição”

O vereador Mogênio não foi localizado pela reportagem do JI. A assessoria de imprensa da Câmara informou que a instituição não é alvo das investigações e que cada parlamentar é responsável pelos seus atos.

Melquizedeque será ouvido segunda-feira

Na próxima segunda-feira (14) será interrogado o ex-secretário de Tecnologia da Informação, Melquizedeque de Souza, apontado como um dos operadores do suposto esquema criminoso que atuava na prefeitura de Foz do Iguaçu e era, conforme o MPF e a PF, chefiado por Reni Pereira.

 

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