Estudantes desocupam escolas e aulas são retomadas nesta sexta

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FOZ DO IGUAÇU - PR - Oficiais de Justiça cumpriram nesta quinta-feira (27) 23 mandados de reintegração de posse expedidos em função das ocupações escolares promovidas por secundaristas de Foz do Iguaçu contrários à reforma do ensino médio e à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241.  A determinação para que os estudantes deixassem as escolas sob força judicial foi publicada nesta quarta-feira (26) pelo magistrado Wendel Fernando Brunieri. Até o final da tarde de ontem (27) a maior parte das escolas estaduais já haviam sido desocupadas. De acordo com o Núcleo Regional de Educação, as aulas serão retomadas normalmente a partir desta sexta-feira (27).

“As desocupações transcorreram de forma pacífica e o retorno às salas de aula está confirmado para esta sexta-feira. A forma de reposição do conteúdo didático que foi perdido será definida nos próximos dias”, comentou Ivone Müller, chefe do Núcleo Regional de Educação de Foz do Iguaçu.

Como parte do movimento “Ocupa Paraná”, as ocupações em Foz começaram no dia 13 deste mês. Ao todo permaneceram ocupadas até esta quinta-feira, 23 das 30 escolas estaduais do município.

“De certo que os alunos perderam o conteúdo didático, mas o que nos foi passado por eles próprios é que tiveram a oportunidade de vivenciar um aprendizado diferente e que levarão para o resto da vida”, compartilhou com a reportagem do Jornal do Iguassu Vagner da Silva, diretor da Escola Estadual Monsenhor Guilherme.

Ao retornar ao colégio, o diretor informou que a escola foi bem cuidada pelos alunos durante o período da ocupação. “Nada foi depredado. Muito pelo contrário. Os alunos cuidaram da melhor forma e aproveitaram este tempo para compartilhar seus conhecimentos em busca do que acreditam”, completou o diretor escolar.

No estado, segundo o movimento Ocupa Paraná, são mais de 800 escolas ainda ocupadas. O último balanço do governo estadual é de que 792 escolas estão ocupadas. O estado concentra o maior número das mais de 1 mil ocupações registradas em todo o país.

Lista de reivindicações

Os estudantes publicaram a lista de reivindicações no Facebook e na página do movimento. Eles pedem, entre outros pontos, a realização de uma Conferência Estadual Livre e Aberta pela Reforma do Ensino Médio no estado do Paraná; a garantia de anistia para que não existam perseguições, demissões e ameaças aos estudantes, professores, pais e simpatizantes que ocupam e apoiam as escolas ocupadas; e a transferência dos locais das provas do Enem.

O movimento é contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016, que limita os gastos do governo federal pelos próximos 20 anos. São também contra a reforma do ensino médio, proposta pela Medida Provisória (MP) 746/2016, enviada ao Congresso.

Morte de estudante agilizou desocupação

Na segunda-feira (24), um dos alunos de uma das instituições ocupadas no Paraná, o Colégio Estadual Santa Felicidade, em Curitiba, foi encontrado morto dentro da escola. Com 16 anos, o estudante foi morto por um colega de 17 anos. De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná, ambos teriam usado uma droga sintética, os dois brigaram e o adolescente teria esfaqueado o colega para se defender.

O grave acontecimento fez com que os governos estadual e federal insistissem na desocupação dos locais. Um grupo de pais e professores que não fazem parte do movimento reuniu-se com representantes da Secretaria de Educação para pedir o fim das ocupações. O movimento Ocupa Paraná divulgou nota na qual diz: "mesmo não sendo um dos estudantes que ocupavam a escola é também vítima de um sistema que oprime e que não corresponde aos anseios da juventude".

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