Candidatos condenados

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O Brasil se tornou o país dos candidatos condenados. A cada dia se multiplicam os processos contra ex-ocupantes de cargos públicos, bem como contra muitos que ainda os ocupam. Em Foz do Iguaçu, o prefeito Reni Pereira já soma uma respeitável quantia de processos; o ex-prefeito, Paulo Mac Donald, ultrapassou os 60 processos entre cíveis e criminais, com várias condenações ainda tramitando para as quais cabem algum tipo de recurso. Só o valor das ações contra Mac Donald já passou a casa dos R$ 150 milhões. Chico Brasileiro, mais modesto, contabiliza 29 processos, também entre cíveis e criminais, somando mais de R$ 23 milhões. Ambos são pretensos candidatos a prefeito na Terra das Cataratas.

Em Cascavel, temos o recordista de processos e condenações, Edgar Bueno. Perdemos a conta na soma das últimas certidões positivas, mas as condenações foram todas de grande repercussão. Foi cassado duas vezes, no colegiado do TRE do Paraná e, depois, milagrosamente teve a sentença reformada em Brasília, no TSE; foi novamente cassado há poucos dias em primeiro grau, mas continua governando e gastando o dinheiro público; responde por irregularidades no contrato do lixo e dos uniformes escolares, dentre vários outros. Mesmo assim, contratou as mesmas empresas consideradas pelo Ministério Público como envolvidas em fraudes nas licitações, e pretende renovar a concessão do lixo por 20 anos.

Em Santa Terezinha o prefeito, Cláudio Eberhard, também está cassado por improbidade administrativa e o processo que não cabe mais recurso e está em fase de cumprimento da sentença de afastamento do cargo está paralisado no Fórum de Foz do Iguaçu, aguardando sabe-se lá o que. E, se formos fazendo o roteiro, seja daqui a Cascavel, ou daqui a Guaíra, ou qualquer outro trajeto, em toda a cidade que houver pelo caminho acumulam-se os processos contra os políticos atuais e, também, contra os que já estiveram no Poder. Claro que há exceções, e faremos uma pesquisa tentando descobri-las, afinal, é importante que a população saiba que existem políticos que não se envolvem em casos que os exponham ao crivo da Justiça.

A grande questão, e que nos chama a atenção, é a aparente imobilidade da sociedade para os problemas locais. A apatia, o comodismo, a aceitação passiva das irregularidades sérias e com imensa repercussão e consequências, perpetradas nos seus quintais. Em Foz reuniram-se mais de 5.000 pessoas para protestar contra a Dilma, mas nem um para exigir respostas para os processos de Chico, Paulo e Reni. Em Cascavel foram, igualmente, mais de 5.000 às ruas para protestar contra o PT, mas nem um para querer respostas para a fraude dos uniformes escolares, ou da contratação do lixo, ou para saber porque um prefeito cassado está governando a cidade. E essa atitude, de aceitação do abuso local e da rebeldia, da revolta com o que acontece em Brasília, se repete em cada cidade desse brasilzão de Deus.

Será que é porque não precisam passar pela Dilma na rua com certa frequência, enquanto pode ser que façam compras no mesmo mercado que o Edgar, o Paulo, o Reni, o Cláudio, e tantos outros? Ou será porque é moda protestar usando a camiseta da seleção brasileira?

 

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