Uma rede de desinformação

Estilo

Não há o que se discutir quanto ao inegável papel das redes sociais em ampliar o alcance dos acontecimentos, atingindo em poucos minutos expressivas parcelas da população mundial, de todas as classes sociais, com os mais variados níveis de escolaridade, integrantes das diversas classes econômicas. Contudo, se tornou impossível controlar a confiabilidade do que é publicado. Não há uma forma segura de se verificar a autenticidade de uma informação. Pelo menos para a maioria da população, não! Qualquer um publica qualquer coisa, sem preocupações éticas com a origem, tampouco a consequência que tal publicação ou compartilhamento possa ter.

Ontem, acompanhamos, estarrecidos, diversos posts no Facebook, a ponto de sentirmos o que costumamos chamar de “vergonha alheia” com determinadas publicações que ultrapassam o limite da desinformação, para adentrar o perigoso campo da estupidez. Uma advogada cascavelense, externou através de um perfil do escritório de que faz parte, toda sua indignação, em um post que dizia: “Os brasileiros estão proibidos de saírem para as ruas. Motivo: o PT convocou militantes para manifesto em favor do Lula. E ainda dizem que vivemos em uma democracia”. Não bastasse o manifesto desconhecimento legal de quem fez o post, a advogada que, imagina-se, tenha um mínimo conhecimento legal, reforça comentando: “Os manifestantes contra o governo estavam acampados e prometiam só sair com a saída da Presidente. Essas barracas eram deles. Poréeeemmmmm, como terá manifesto do pessoal que apoia o governo, a Polícia resolveu tirar todos na base do jato d'água, agressões, etc”.

Este é o tipo de comentário que presta verdadeiro desserviço à sociedade. Uma advogada que, na análise dos leigos, deve saber o que fala, aparentemente desconhece a legislação pátria que garante o acesso à local onde tenha sido previamente agendada manifestação, comunicada às autoridades policiais, o que foi o caso do ato da noite de ontem. A polícia liberou o local, irregular e ilegalmente ocupado por manifestantes que tomaram a via pública, interrompendo há quase dois dias o trânsito, e o liberaram para a realização de uma manifestação pacífica, legal e comunicada às autoridades na forma que a lei determina. Teria feito o mesmo se os atores envolvidos estivessem ocupando os lados contrários.

Quanto à manifestação em si, serviu de forte demonstração que o governo Dilma não está morto. Que o PT continua tendo força e poder de mobilização. Que o ex-presidente Lula é adorado por uma expressiva parcela da população. Isso são fatos. Indiscutíveis e incontestáveis. Há quem goste e quem não goste destes fatos. Há quem se revolte, se indigne, brade furioso e descontrolado como se tem visto quando um microfone e uma câmera se aproxima de qualquer um dos pró-impeachment ou pró-Moro. Pelo que se viu, a frase exposta em todas as manifestações “coxinhas”, trazida da distante Paris, em flagrante falta de personalidade e criatividade: “Je suis Moro”, está longe de ser unanimidade entre os brasileiros. A manifestação de ontem, claramente comprovou que não é o Brasil que quer o impeachment, mas uma parte dos brasileiros que além e não conseguir eleger seu candidato, também não logrou êxito em provar de forma cabal que é a maioria da Nação.

Por Enio Jorge Job

 

Adicionar comentário

Os comentários não representam a opinião do Jornal/Portal do Iguassu, sendo de total responsabilidade de seus autores. Os usuários do Portal podem comentar os artigos e os comentários de outros usuários. Não há um limite preestabelecido de comentários por artigo, no entanto, os moderadores podem, a qualquer momento, encerrar os comentários, se um determinado artigo estiver causando discussão exagerada ou fora do assunto tema.
Palavra ofensivas, de baixo calão ou desrespeitosas, ocasionarão o bloqueio do IP do usuário. Usuários bloqueados, cujo acesso se der através de redes corporativas, provocarão o bloqueio de toda a rede, impedindo o acesso dos demais usuários. Uma vez bloqueado, o IP só será liberado após identificado o usuário que tiver infringido as regras de postagem.


Código de segurança
Atualizar