Que sinuca de bico

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Que momento delicado o Brasil atravessa. Não bastasse a crise econômica, fruto de todo o bombardeio diário que a grande mídia promove há mais de um ano com a clara intenção de derrubar o governo federal, temos ainda a crise institucional e, agora, a pior de todas, a crise de credibilidade de quem tem o poder e o dever de colocar um ponto final nisso tudo: a Justiça. Nós não queríamos estar nas peles dos ministros do STF a quem, em última instância caberá tomar as decisões finais a respeito de cada uma das controvérsias que têm surgido com a confusa Operação Lava Jato. Ninguém em sã consciência ousa dizer que está tudo certo, tampouco que não há corrupção ou desvios de recursos na Petrobrás e, por certo, em vários outras estatais e órgãos, inclusive, da administração direta. A questão toda é a forma como as coisas têm acontecido, permeadas de um sem fim de desenrolares duvidosos do ponto de vista da legalidade e da garantia ao estado democrático de direito.

Sequer vamos abordar se há ou não legalidade ou moralidade na nomeação do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo de ministro chefe da Casa Civil. Essa é uma questão que não cabe a nós, leigos, discutir, e sim ao Supremo Tribunal Federal, o guardião da Constituição. Seus pares, inclusive, com dificuldades em manter a boca fechada ante uma câmera de televisão, se pronunciaram com entendimentos totalmente diversos. Há os que acham que não há nenhuma irregularidade ou obstrução da Justiça, decorrentes da nomeação; e há os que acreditam que a nomeação é um subterfúgio para que o ex-presidente fuja do alcance de Moro para... ficar ao alcance deles próprios...

Também não vamos sequer discorrer sobre os motivos que embasaram a concessão da liminar que suspendeu o ato de nomeação de Lula, até que o julgamento do mérito de uma ação popular seja julgado. A questão toda está centrada em um exclusivo fato: a credibilidade de quem deu o canetaço, de quem assinou a liminar. Por pressuposto, o Judiciário deve gozar de toda o crédito por parte da população. Que esperança nos restará se a conduta daqueles que devem ser os guardiões da Lei, for para nós, reles cidadãos, duvidosa e desacreditada?

E como dar crédito para uma decisão judicial contra um palmeirense, dada por um membro da torcida organizada do Corinthians? Pois o que aconteceu foi mais ou menos isso. O juiz Itagiba Catta Preta Neto, da 4ª Vara Federal de Brasília, que foi quem concedeu a liminar sustando o ato de nomeação de Lula, é antipetista e antigoverno assumido e de carteirinha. Seu perfil no Facebook (rapidamente excluído ao vazarem fotos e postagens suas em todas as redes sociais) é uma página de apologia ao impeachment. Postagens contra a presidente da República, com afirmações que sua cassação causará a baixa do dólar e todos poderão fazer compras em Miami e Orlando são, no mínimo, de colocar em xeque sua capacidade julgadora para este caso em específico. Além disso, é eleitor do PSDB e assumidamente votou em Aécio, postando ao sair da seção eleitoral: “Dever cumprido”. Fica uma incômoda dúvida.

 

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