Que dó dos historiadores do futuro

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As sucessivas barbaridades que temos presenciado na política nacional vão dar uma grande dor de cabeça aos historiadores. Em especial todas as presepadas decorrentes da judicialização da política, com juízes e promotores mais preocupados em garantir um lugar à luz dos holofotes, a desvendar cabalmente a verdade dos fatos, darão uma trabalheira na hora de contar aos nossos descendentes, às futuras gerações. Como explicar que um promotor tenha anunciado meses antes que denunciaria um crime que estava para ser investigado? E que depois tenha oferecido a denúncia sem argumentos que possam convencer o mais despreparado dos juízes? E, ainda, como dar razão a que essa “denúncia”, seguida do pedido de prisão de um ex-presidente, tenha ocorrido às vésperas de uma manifestação “popular” contra a corrupção? Nós não queríamos estar na pele de nenhum historiador que tenha a tarefa de ordenar e explicar tais fatos.

Uma direita de revoltados, on e off-line, e entidades cujos interesses econômicos e políticos são pouco conhecidos, financia uma campanha nacional, com outdoors, distribuição de materiais impressos, carros de som, infláveis gigantes produzidos sob encomenda, marketing em redes sociais administrado por empresas especializadas no assunto (e caríssimas), preparando a população para uma manifestação contra o atual governo e pelo impeachment da presidente Dilma Roussef.

A maior emissora de televisão do país dá a mais ampla cobertura aos acontecimentos, dedicando quase a totalidade de seus telejornais nos mais nobres e caros horários, às manifestações que irão acontecer nos dias 12 e 13, e aos ataques incansáveis ao governo federal. Em um país de mais de 5.000 municípios, a emissora só tem notícias que envolvem membros do partido dos Trabalhadores, que não por coincidência, é o partido da presidente da República. Quando entrevistam Wadih Damous, o mostram como deputado do PT, o que em realidade é; porém, não citam que Damous é ex-presidente nacional da OAB, portanto, detém conhecimento jurídico para se pronunciar a respeito das questões legais que envolvem a ação dos promotores e do próprio juiz Sérgio Moro.

Espera-se que a sede de derrubar o governo não promova uma manifestação que faça parte da história como um trágico confronto de forças de esquerda e direita, com consequências devastadoras. A mídia e a direita de discurso inflamado e raivoso têm contribuído para que isso aconteça. Que dó dos historiadores do futuro.

 

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