A Saúde em Foz está na UTI?

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Sai semana, entra semana e os diversos problemas que afetam o atendimento básico de saúde em Foz ocupam os espaços mais nobres da mídia. Dos mais modestos impressos mensais, à poderosa emissora global, não há meio de comunicação que não se veja na obrigação de divulgar os mais variados fatos que tornam o dia a dia da sofrida população ainda mais complicado. Conviver com problemas de moradia, com uma alimentação longe da ideal, com dificuldades com o transporte coletivo de péssima qualidade, com a falta de creches, dentre outras mazelas, já não assusta tanto o iguaçuense.

No entanto, quando o assunto é uma enfermidade, que atinge a mãe, o pai, a esposa, o marido ou os filhos, a situação se torna aflitiva, verdadeiramente desesperadora. O cidadão, que contribuiu com uma pesadíssima carga tributária se sente mais que impotente, se sente um verdadeiro palhaço, alimentando um sistema federativo falido e ineficiente, vendo o dinheiro dos impostos que paga com o suor de seu trabalho indo pelo ralo, enquanto nada, ou muito pouco lhe é dado em retribuição.

Casos de aparente má gestão relacionados com a administração da saúde pública em Foz do Iguaçu, já se tornaram uma desagradável e presente rotina. O atendimento nas unidades básicas de saúde – UBSs, na unidade de pronto atendimento e no hospital municipal, é alvo de permanentes e repetidas críticas por parte de quem mais precisa: a população de menor renda. As reclamações vão da demora desumana para o primeiro atendimento e a triagem, passando pela falta de médicos que não comparecem ao serviço, e alcançam a própria administração da secretaria de saúde.

O fato é que a população não suporta mais ser tratada com menosprezo, não aguenta mais ver seus pais e seus filhos padecendo por horas na fila de uma unidade de saúde e, ao final, voltar para casa sem ter obtido sequer um diagnóstico apropriado para seu caso, para sua angústia. Não bastasse tudo isso, o Executivo quer terceirizar a administração da Saúde para um grupo privado que levará ao ano, mais de R$ 120 milhões dos cofres públicos.

A coisa não vai bem. E, hoje, quem afirma isso não é a imprensa, e não é o povo. Quem afirma isso é o Conselho Municipal de Saúde - COMUS, que considerou insuficientes as informações apresentadas pela prefeitura no Relatório Anual de Gestão e, agora, encaminhará seu parecer pela reprovação ao Ministério Público. Dentre os problemas apontados pelos conselheiros do COMUS, constam a falta de previsão de pagamento de dívidas decorrentes da administração pela Fundação Cultural do Hospital Costa Cavalcanti, no valor de mais de R$ 32 milhões. Também o descontrole na emissão do cartão SUS, a não divulgação dos balancetes obrigatórios, o descumprimento do Plano das Ações e Atividades do Programa Estadual de Saúde do Viajante, falta de informações sobre contratos celebrados, convênios e aditivos.

O secretário de Saúde, ao invés de apresentar justificativas e soluções, preferiu exteriorizar à imprensa a sua indignação, revoltado com a rejeição do Relatório por parte do COMUS. Uma coisa é certa: a saúde em Foz não vai nada bem, e os índices de infestação do Aedes aegypti não nos deixam mentir.

 

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