Taca-lhe no pátio, Buda!

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No editorial de ontem ressaltamos a atitude da intendenta (prefeita) de Ciudad Del Este, que determinou à Polícia Municipal de Trânsito que desse privilegiado tratamento aos turistas, em especial não multando (exceto nos casos de infrações consideradas gravíssimas), tampouco apreendendo veículos ou carteiras de habilitação de turistas em passeio ao país vizinho. Sandra Zacarias foi além, se reunindo com a Marinha, as Polícias Nacional e Aduaneira, pedindo que dediquem o mais alto grau de cordialidade e respeito para com quem leva divisas e gasta no Paraguai.

O “pacote” de medidas protetivas para os visitantes se estende aos maus lojistas, que estarão na mira da polícia do turista. A intendenta implantou ainda um número fixo e três celulares para o registro das queixas, reclamações, denúncias e pedidos de ajuda, para todo o turista que se sentir agredido, maltratado ou vítima de cobranças indevidas de propina por parte de policiais ou empresários.

Enquanto isso, aqui do outro lado da ponte da Amizade, a política adotada com o turista vai na contramão da razão. O FozTrans, com apoio da Guarda Municipal realiza blitze diárias, aprendendo mais de duas dezenas de veículos entre nacionais e estrangeiros. Ontem mesmo, com o editorial citado ainda fresquinho, na edição que estava a pouco circulando pela cidade, pouco passado das nove horas da manhã e o forte aparato da GM já estava instalado na Avenida Paraná, próximo ao Shopping JL Cataratas, no sentido Vila A - Centro. Nem mesmo a branda e ininterrupta chuva demoveu os fiscais da realização da operação.

O JI foi averiguar “mais de perto” o trabalho do FozTrans e da GM e ficamos surpresos com algumas informações, no mínimo curiosas. Segundo um dos agentes envolvidos, a maioria dos veículos nacionais apreendidos apresentam problemas como atraso no recolhimento do IPVA, do seguro obrigatório ou do licenciamento. Um percentual menor se encontra em lastimável estado, sem as mínimas condições de tráfego com segurança, colocando em risco transeuntes e demais veículos. Eventualmente surge algum carro roubado.

Questionamos o procedimento com os turistas, comentando a um falante agente sobre a resolução e as medidas implantadas pela intendenta de CdE, e ouvimos a explicação de que com relação aos veículos com placas estrangeiras (Paraguai e Argentina), não estavam sendo aplicadas multas. O agente esclareceu que o objetivo com os veículos dos países vizinhos era identificar e cobrar um passivo de mais de R$ 8 milhões em multas, devidas por estrangeiros, alguns com dezenas de multas pelas mais diversas infrações, que saem do Brasil sem regularizar a situação na fronteira.

Até aí, tudo bem. Mas, como chegaram a esse montante de multas? Multando repetida e indiscriminadamente os veículos com placas de outros países. Mas, então, um fato nos chamou a atenção: o falante agente não era funcionário do FozTrans, tampouco da GM. Era funcionário da empresa que hoje terceiriza o pátio de veículos aprendidos e ganha mais de R$ 100 por cada veículo guinchado e, depois, outros R$ 44 por dia de “estadia” no pátio. Esse, sem dúvida, o maior interessado na realização das blitze e na apreensão dos veículos.

 

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