Mais segurança na hora certa

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Não é de hoje que há uma reclamação geral com relação ao efetivo da PM do Paraná, em especial nas cidades menores, onde não raro uma população de 15 ou 20 mil pessoas depende de um destacamento com 2 policiais militares por turno, fragilizando a segurança do município e, com preocupante incidência, transformando a localidade em um alvo preferencial para a ação de quadrilhas especializadas em roubo a bancos e caixas eletrônicos. Os casos se repetem, ganham a mídia nacional e assumem a incômoda similaridade com filmes hollywoodianos permeados de violência e medo, nos quais a população é submetida a toda espécie de barbárie e carrega, após o fato, para sempre a lembrança dos momentos de total pânico.

Pois bem, o governador Beto Richa anunciou um acréscimo de 2.831 novos policiais militares e bombeiros ao contingente da PM do Paraná. São 2.222 novos policiais e 609 novos bombeiros que iniciam o Curso de Formação de Soldados, e dentro de 10 meses e 1.500 horas de aulas teóricas e práticas depois, estarão aptos a integrar a corporação e atuar nas ruas dos mais variados municípios do estado.

Segundo o comando da PM, após formados, os novos policiais serão distribuídos pelas cidades paranaenses conforme a necessidade de cada região. A medida é bem-vinda e por certo confortará muitas famílias que se sentem potencialmente inseguras e à mercê da criminalidade. Algumas se tornaram prisioneiras de seus lares. Vivem em casas com altos muros e cercas elétricas, do lado de dentro das grades, enquanto os verdadeiros criminosos desfilam pelas ruas, disseminando o terror e o medo nas pessoas.

A notícia era esperada há muito e sempre vista com alívio pela sociedade. A questão é porque somente agora, a poucos meses do início de um novo pleito, no qual os prefeitos terão sérios problemas com as mudanças na legislação eleitoral, que é anunciada a boa nova? Já nesta eleição, os gastos com publicidade estão limitados à média do primeiro semestre dos anos anteriores. No entanto, não há campanha para o governo do estado, que poderá manter seus investimentos e inaugurações de obras por todo o interior do Paraná, se constituindo na tábua de salvação de muito prefeito candidato à última reeleição da história, afinal, quem se eleger neste pleito não concorrerá à reeleição.

Repetimos que a medida é muito bem-vinda, mas deixa uma cruel dúvida do momento em que é implementada. O que pode pôr por água abaixo qualquer boato a respeito da conveniência política da incorporação dos novos soldados, é a forma como serão distribuídos. Se for pelo grau de necessidade de cada município é uma história, mas se for conforme o cacife e o posicionamento político ou partidário de cada prefeito paranaense, o acontecimento pode ser contaminado pelo momento em que está ocorrendo. Torcemos para que o nosso governador esteja fazendo o que precisa ser feito pelos motivos corretos.

 

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