O que há por trás do embargo das obras do Catuaí?

Estilo

O Grupo BR Malls, proprietário do Shopping Catuaí de Cascavel, cujas obras estão paralisadas por determinação judicial, cansou de ser vítima de estranhas forças que estão empenhadas em não permitir que a obra siga em frente e, literalmente, partiu para o ataque. Contrataram um escritório especializado em investigações e encomendaram um levantamento sobre a AGDS (Associação Global de Desenvolvimento Sustentado), autora da ação que levou ao embargo da obra; e o advogado Marinho Mendes Domenici, que tem escritório profissional em Brasília e é sub-procurador-geral da república aposentado, além de casado com a filha de um ex-ministro do Tribunal de Contas da União.

A investigação aponta uma série de curiosos fatos que, no entanto, não surpreendem a ninguém. Domenici tem ligações com a família Veronezi, de Guarulhos – SP, através do vereador Geraldo Celestino (PSDB), do Legislativo daquele município. Os Veronezi são conhecidos no meio empresarial de Guarulhos como proprietários de 17 shoppings centers e da Universidade de Guarulhos. A essa hora você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com a obra embargada do Catuaí. A gente responde! Por uma não coincidência, a família Veronezi é proprietária da General Shopping do Brasil que, por sua vez é uma das donas do Cascavel JL Shopping, obviamente o maior interessado em que tal obra jamais se concretize.

A associação que moveu a ação através do advogado Marinho Mendes Domenici tem um perfil para lá de suspeito, com todas as características de uma entidade que só existe no papel para servir de instrumento a interesses escusos de terceiros, como aparenta ser o caso do Shopping Catuaí. Fundada em 1984 e autointitulada eco associação, não se tem notícia que a entidade tenha atuado ou atue de forma regular e permanente na proteção ambiental ou mesmo no ativismo ambiental. Desde 2007, o site da associação sequer é atualizado. A AGDS também jamais se manifestou em público, sendo seus diretores desconhecidos. Por sua vez, Domenici é figurinha carimbada quando o assunto é se opor à construção de shoppings que possam, de alguma forma, ameaçar a hegemonia dos negócios dos Veronezi. Ele também nunca é encontrado para falar sobre o caso, e jamais retorna as ligações da imprensa.

O advogado, pago a peso de ouro, questionou em 2005 a construção do Shopping Tucuruvi em São Paulo e em 2012 tentou impedir a construção do Shopping Pátio Guarulhos. Em abril do ano passado, Domenici ajuizou uma ação em nome do vereador Celestino, tentando anular a autorização para construções. Até um mega empreendimento que prevê um investimento de R$ 4 bilhões e a geração de milhares de empregos diretos e indiretos foi questionado pelo advogado. No entanto, nem a AGDS, tampouco alguma outra associação, questionaram em qualquer momento, a construção dos quatro shoppings pertencentes aos Veronezi, localizados em Guarulhos: o Internacional, o Bonsucesso, o Parque Maia e o Poli Shopping.

A desembargadora Marga Tessler quer ouvir a manifestação dos autores do embargo a respeito do “dossiê” levantado pelos investigadores contratados pela BR Malls e considerou os documentos de relevância para o processo.

 

Adicionar comentário

Os comentários não representam a opinião do Jornal/Portal do Iguassu, sendo de total responsabilidade de seus autores. Os usuários do Portal podem comentar os artigos e os comentários de outros usuários. Não há um limite preestabelecido de comentários por artigo, no entanto, os moderadores podem, a qualquer momento, encerrar os comentários, se um determinado artigo estiver causando discussão exagerada ou fora do assunto tema.
Palavra ofensivas, de baixo calão ou desrespeitosas, ocasionarão o bloqueio do IP do usuário. Usuários bloqueados, cujo acesso se der através de redes corporativas, provocarão o bloqueio de toda a rede, impedindo o acesso dos demais usuários. Uma vez bloqueado, o IP só será liberado após identificado o usuário que tiver infringido as regras de postagem.


Código de segurança
Atualizar