A diferença entre governar e brincar de governar

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Não é nenhuma novidade que atravessamos uma importante crise econômica e política. Também não é segredo que tal problema é de proporções globais, ainda que uma expressiva parte da “velha mídia” faça de tudo para fazer crer que o Brasil, exclusivamente, vive uma crise sem precedentes, enquanto no resto do planeta tudo vai às mil maravilhas. O fato é que quando uma crise que ultrapassa as fronteiras geográficas de um país e assume as proporções desta que vivemos, em especial, os governos precisam agir com rapidez, e de forma pontual, defendendo os interesses nacionais e, por consequência, protegendo seus cidadãos da melhor e mais eficiente forma, dos efeitos que essa crise possa ter.

Esse talvez seja um dos maiores pecados de nosso governo federal: a ineficiência na tomada de ações de contingência, a demora na adoção de medidas protetivas e, a falta de eficácia na implantação e no controle de ações para minimizar os reflexos da crise econômica na área política, de forma a frear uma crescente politicagem institucionalizada como forma de obtenção de dividendos eleitorais.

No nosso vizinho país, o Paraguai, ao que tudo indica o governo está muito mais preocupado em garantir o bem-estar de seus cidadãos e, de forma muito mais ágil, toma medidas para proteger os trabalhadores da crise, em uma clara tentativa de garantir os empregos das famílias paraguaias. No sábado (20), o governo paraguaio anunciou um “Mutirão de Regularização Migratória”, ao qual devem recorrer todos os brasileiros e demais estrangeiros que estudem ou trabalhem do outro lado da Ponte da Amizade, munidos de documento de identidade, certidão de antecedentes criminais da Polícia Federal e certidão de nascimento (para os solteiros) ou de casamento (para os casados), além de uma taxa de aproximadamente R$ 900,00. O prazo para a regularização é de sete dias e se encerra na próxima segunda-feira, a partir de quando quem for flagrado estudando ou trabalhando sem a documentação exigida será notificado para regularizar em 72 horas, o que não ocorrendo acarretará na deportação do indivíduo.

Mas, o que há por trás da medida adotada pelo setor de Imigração do Paraguai? Essa é fácil: nos últimos meses, desde a desvalorização do real frente ao dólar, as vendas no país vizinho caíram cerca de 90% e algo em torno de 10.000 funcionários foram demitidos, dos quais apenas 20% são brasileiros e os demais 80% são paraguaios. Como a imensa maioria dos brasileiros que trabalham no comércio de Ciudad Del Este não possuem registro profissional no Paraguai, muito provavelmente não conseguirão fazer o documento que, agora, é obrigatório. As empresas dificilmente regularizarão essas contratações para “facilitar” a vida dos brasileiros e, a sequência natural dessa medida poderá ser a demissão em massa de brasileiros, para evitar as pesadas multas que poderão ser aplicadas às empresas paraguaias que tiverem funcionários estrangeiros sem o devido documento migratório. Se concretizando essa visível realidade, se criaria um grande número de postos de trabalho para os cidadãos de Ciudad Del Este, minimizando o impacto da crise nas famílias do Paraguai. Enquanto isso, a esquerda e a direita no Brasil se acusam mutuamente e nenhuma medida efetiva é tomada na proteção do cidadão brasileiro.

 

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