A inadimplência e a fronteira

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A ACIFI divulgou um preocupante levantamento que aponta um crescimento de 9% na inadimplência no mês de janeiro, se comparado ao mesmo período de 2015. São 13% de inadimplência, contra 4% do ano passado. A ACIFI aponta como provável causa do aumento do índice o endividamento dos consumidores e das famílias brasileiras. No âmbito nacional, houve um acréscimo de 4% no número de famílias com dívidas, passando dos 57% em janeiro de 2015, para 61% atualmente.

O quadro que aparenta um cenário de dificuldades crescentes, no entanto, deve ser analisado mais profundamente, e de forma mais técnica. No mesmo período tivemos um acréscimo de 4% no volume total de vendas, em grande parte estimuladas pela desvalorização do Real frente ao Dólar, decorrentes da vinda de muitos argentinos e paraguaios para compras no Brasil. Os estrangeiros compram em dinheiro vivo ou com cartões de créditos internacionais, cuja inadimplência, se houver, não figura em nossas estatísticas. Nesse caso, a inadimplência dos brasileiros, se isolássemos o volume de compras descontando as realizadas por estrangeiros, poderia ser ainda maior que o apresentado.

Outro importante aspecto a se considerar é que o país vinha em uma corrente de crédito muito fácil, especialmente o consignado, e que muitas famílias, picadas pela mosca do consumo desnecessário, estavam fazendo financiamentos seguidos para pagar outros financiamentos, ou ainda, a conta do cartão de crédito. Essa prática segurou os índices de inadimplência por um bom tempo. No entanto, a maior valorização da moeda americana carregou consigo um maior custo para a obtenção de crédito, dificultando e até mesmo impossibilitando a operação para muitas pessoas que não conseguiam mais empurrar as dívidas com a barriga.

Outro reflexo negativo da alta do dólar foi a perda, de um dia para o outro, de importante fonte de renda que permitia a muitos iguaçuenses controlar a balança comercial doméstica. Muitas famílias complementavam a renda familiar com o comércio de produtos comprados no Paraguai e revendiam na região e até em centros maiores. Com a rápida valorização do dólar, perderam essa complementação e ficaram impedidos de honrar com dívidas já assumidas, especialmente no cartão de crédito.

Estudos mais detalhados poderiam traçar um melhor perfil dos inadimplentes, revelando um quadro não tão caótico, ou, pelo contrário, que a coisa é muito pior do que possamos imaginar. A grande questão é que o brasileiro está longe de dar importância à adoção de um planejamento orçamentário familiar. Não há uma cultura de economia, tampouco de comprar apenas o que é realmente necessário, deixando o supérfluo para quando exista uma renda complementar também extra.

 

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