Carnaval da integração

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O carnaval de Foz ultrapassou os limites da fronteira, pelo menos da fronteira com o Paraguai. Como resultado da escolha da Rainha do Carnaval, Wendy Fernandes recebeu o cetro, a coroa e o título. O ponto é que Wendy é paraguaia. Nas redes sociais se percebeu um certo movimento de reprovação, com revoltados (hoje está na moda estar revoltado com o governo, com a família, com o resultado do jogo e, até mesmo, com a Rainha do Carnaval) indignados com uma estrangeira levando o título. Puro bairrismo de quem não sabe para onde está indo porque a barriga não lhe permite ver os próprios pés. Aquela coisa do ativismo de sofá, feito por quem não levanta as nádegas da cadeira para tomar a frente em nenhum tipo de manifestação, mas corre para o PC ou o celular para postar sua importantíssima opinião sobre qualquer coisa que possa render alguns likes e comentários.

Pois bem, achamos a escolha de Wendy ótima. Ter uma paraguaia como Rainha do Carnaval é um importante passo para a verdadeira integração dos municípios do Território do Iguassu. Pode ser o que faltava para abrir definitivamente as portas a uma maior participação de um país nos eventos promovidos pelo outro. Em breve, poderemos ter uma brasileira como Rainha da Expo Santa Rita, ou em algum evento similar na Argentina, porque não?

Nas críticas, seus autores utilizaram as mais absurdas alegações para tentar dar embasamento ao porque não se deveria ter uma estrangeira como Rainha do Carnaval. Entre as mais hilárias podemos citar uma que questiona se em Foz não haveria pelo menos uma brasileira com “mais samba no pé”, para legitimamente ocupar a posição. Outra, mais engraçada ainda, afirmava que o carnaval é uma festa brasileira, e que era uma espécie de desmerecimento para o país ter uma paraguaia como rainha de uma festa nacional.

A questão é que para se ocupar a posição de Rainha, não importa se do CarnaFalls, de uma escola de samba do interior, ou do Carnaval carioca, é necessário muito mais do que “ter samba no pé”. É claro que é preciso ter gingado, saber sambar, dominar vários passos e ter ritmo; mas, é imprescindível ter simpatia, um sorriso contagiante, irradiar alegria, transmitir felicidade, além de muitas outras qualidades imperativas para quem pretende representar uma festa que é a própria alegria de nosso sofrido povo. Nesse quesito, Wendy levou nota 10, indiscutivelmente. É Rainha do Carnaval de Foz do Iguaçu com todos os méritos que precisava ter para chegar ao posto.

Que o fato sirva de incentivo para que a integração entre os países seja cada vez mais estimulada e incentivada. Que seja o ponto de partida para que as brasileiras se preparem melhor e ousem mais. Ousem se inscrever para concorrer a Rainhas, Princesas, Misses, de todos os eventos que ocorram na fronteira, independentemente de que ocorram no Brasil, ou do outro lado das pontes da Amizade e Tancredo Neves.

 

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