Marcon e Folador são acusados da distribuição de material contra Paranhos e Pacheco

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CASCAVEL - PR - A campanha eleitoral ganha novos contornos em Cascavel, no entanto, nada distante do que sempre se verificou em pleitos anteriores. Quando os candidatos não avançam no campo das ideias, ou quando o possível resultado das urnas é desfavorável aos que se entendem donos da cidade e dos destinos a população, os métodos nada republicanos e nitidamente antiéticos, imorais e ilegais, tomam conta das ações e passam a ser chamados de "estratégia". Na noite dessa segunda-feira (19), foi detido um homem no Parque São Paulo, transportando mais de 5.000 jornais em desacordo com a legislação eleitoral, atacando os candidatos Leonaldo Paranhos (PSC) e Marcio Pacheco (PPL).

O homem de 62 anos, contratado para fazer o serviço de distribuição dos jornais, de forma espontânea e mesmo sem a presença de autoridades policiais, rapidamente contou que estava a serviço da Coligação "Amor por Cascavel", do candidato a prefeito Marcos Vinicius (PSB). Chamou a atenção que alguém contratado para tal tenha, sem nenhuma pressão, com naturalidade e uma história concisa e bem contada, entregado todo mundo tão facilmente. Diversos fatos estão mal contados com relação à apreensão, como, por exemplo, terem levado adiante a intenção de distribuição, mesmo após o fato ter sido denunciado por um jornalista local que, por coincidência, abertamente declara apoiar a candidatura de Paranhos.

O impresso distribuído destoa em qualidade do que foi apresentado por Marcos Vinicius no programa eleitoral de hoje, que mais parecia ser o original em alta resolução

O homem detido disse, tanto à imprensa quanto à Polícia Federal, que havia sido contratado pela coordenação de campanha de Marcos Vinicius, citando os nomes de Luiz Marcon e Severino Folador. Marcon se vangloria de ter sido o estrategista que criou o material que acusava o candidato José Lemos (PT) na campanha de 2012, de não morar em Cascavel, e que trazia a falsa ideia de que os candidatos são obrigados pela legislação eleitoral a residirem no município em que concorrerem a cargo público, induzindo o eleitor em erro e garantindo a vitória de Edgar Bueno no segundo turno em uma eleição praticamente perdida. Folador é o homem forte do governador Beto Richa (PSDB), na região de Cascavel. Em 2012, outro homem forte do governo do Estado, Antonio Barater, foi apontado por ter obrigado um funcionário de carreira da Copel a utilizar de sua senha para acessar o sistema e obter dados de Lemos para a criação dos programas eleitorais que atacariam o candidato petista durante mais de uma semana, mesmo com a determinação da Justiça Eleitoral proibindo a continuidade das veiculações.

Fatos curiosos sobre o atual caso

Alguns pontos se destacaram na avaliação do JI. Primeiro, o fato de que o crime foi antecipado pela imprensa, que anunciou a confecção do material pelo menos dois dias antes do fato. Por coincidência, a denúncia partiu de um jornalista engajado na campanha de Leonaldo Paranhos, supostamente uma das vítimas do ataque. Na sequência, o homem é preso, e sem pressão alguma dá declarações, citando nomes dos contratantes, gravadas e rapidamente publicadas em blogs como o do jornalista Oswaldo Eustáquio (que também divulgou outras informações privilegiadas sobre o caso, que nem a imprensa local ainda tinha conhecimento), igualmente engajado na campanha do candidato do PSC. O jornalista que denunciou o crime antes de ter acontecido foi um dos primeiros a chegar à Polícia Federal, onde o contratado para a distribuição do material chega com um depoimento convincente, fluido, prestado sem titubeios.

A exceção do material apreendido no veículo, só foi "recolhido" material pelos envolvidos na campanha de Paranhos

Dentre outras informações prestadas pelo detido, impacta a de que haveriam 13 coordenadores de campanha, todos com farto material para distribuir, no entanto, não houve ninguém mais preso e o único material localizado, por coincidência foi "recolhido" por integrantes da campanha de Leonaldo Paranhos, conforme declarações e fotos postadas em redes sociais.

Profissional descuidado?

Luiz Marcon é homem de confiança de Edgar Bueno, ao qual o prefeito entregou seu futuro político em suas candidaturas, confiando cegamente em sua competência para, com a utilização dos meios que se fizessem necessários, garantir o resultado nas urnas. Sua competência para atingir os resultados almejados não combina com o amadorismo com que toda a "operação" foi desenvolvida. A qualidade do material, os textos, a apresentação, em nada lembram os materiais produzidos por Marcon, reconhecidos por sua letalidade, lesividade e conteúdo bombástico, porém moral e eticamente questionáveis.

Também é importante que se observe que a assessoria jurídica do candidato do PSC se manifestou no Facebook compartilhando a notícia da apreensão do material feita pelo jornalista que denunciou antecipadamente o crime, tão logo foi postada no site de notícias. Hoje cedo, a assessoria do candidato Marcos Vinicius divulgou nota oficial na qual não se isenta da responsabilidade de edição do material, tentando fazer crer que o apócrifo distribuído seria uma edição regular do Jornal A Tribuna das Cidades, que pertence ao candidato a prefeito pelo PT, Aderbal de Holleben Mello, que declarou por telefone que se trata de uma imitação grotesca e não autorizada de seu periódico.

Da mesma forma que agiu na campanha de 2012, a coordenação de Marcos Vinicius, herdada de Edgar Bueno, mesmo sabendo que o material é falso e se constituiu em uso indevido e não autorizado do nome da Tribuna das Cidades, deu ampla divulgação em seu programa eleitoral, com a nítida intenção de maximizar eventuais danos que possam atingir os candidatos Leonaldo Paranhos e Marcio Pacheco. Um aspecto que salta aos olhos no programa de Marcos Vinicius, que foi ao ar ao meio-dia desta terça-feira (20), é que a produtora do candidato entregou a mídia na TV Tarobá poucas horas antes, às 9h12min, deixando margem para que se pense que o mesmo pudesse já estar produzido. Após a prisão, o depoimento do homem detido durou até às 01h35min, e a Polícia Federal não liberou o depoimento para a imprensa. No entanto, no programa eleitoral de hoje, Marcos Vinicius apresenta o material apreendido com uma qualidade destoante com o material impresso, com todas as características de ser produzido a partir do original em alta resolução.

Males que vêm para o bem

Paranhos, no entanto, não tem muito do que reclamar, pois a coordenação de Marcos Vinicius lhe prestou um grande favor. Quem seria tão descuidado a ponto de, em uma só tacada, criar um fato que pudesse dar credibilidade para a tese do candidato do PSC, que jura não representar nem a continuidade de Edgar Bueno, tampouco os interesses do Governo do Estado? É indiscutível que a citação dos nomes de Marcon e Folador reforçam essa tese de desvinculação. Há contudo quem afirme que Edgar está "fritando" antecipadamente seu candidato fictício, para tentar levar os votos para Paranhos, com a intenção de lhe garantir a vitória no primeiro turno e, que o descuido foi, na verdade, proposital.

Fotos: Internet

 

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