O ser humano e a tecnologia

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Vivemos em um mundo cada vez mais digital. Se me perguntarem o que acho disso, pensando que por ser da área de TI responderei: “Ótimo”, verão que estão redondamente enganados.

Sinto falta do tempo que conversava com os amigos frente a frente, ou até mesmo por meio de cartas que ansiosamente aguardava pela chegada. Mas, tudo mudou e as pessoas não souberam aproveitar tudo o que a tecnologia lhes proporciona. Parece que o excesso de tecnologia “emburreceu” a quase todos. Vejo gente perdendo precioso tempo do dia postando piadas no Facebook, ou coisas que só interessam à sua mente em grupos do Whatsapp. Há uma evidente dificuldade em separar o que é pessoal do que é profissional, e muitos acham que grupos são feitos para se postar o que quiser, a qualquer momento do dia, independente da motivação de sua criação. E fazem isso, inclusive, com grupos de trabalho, até mesmo da empresa que os emprega. Na maior parte das vezes sequer fazem uma simples saudação aos demais participantes desses grupos, apenas jogam conteúdos que não interessam à maioria, como quem joga lixo em uma lixeira qualquer. Costumo falar que você não é o que posta no Facebook, mas o que você esconde em seu Whatsapp.

Desperdiçamos a tecnologia, criada para permitir voos mais desafiadores, projetada para dar ao homem instrumentos para alcançar objetivos que não seriam possíveis antes dela, com coisas banais e sem nenhuma utilidade, exceto desviar a atenção e o foco daquilo que realmente deveríamos estar fazendo. Perdemos a oportunidade de ocupar o nosso tempo fazendo um uso realmente positivo da tecnologia, conectados para ler, estudar, enfim, aprender algo novo que essa tecnologia coloca ao nosso alcance, além de contribuir para o desenvolvimento da humanidade compartilhando o conhecimento.

O principal objetivo desse Caderno de Inovação, Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente é compartilhar o conhecimento e aproximar as pessoas. É juntar informações importantes sobre estes temas em um mesmo local, permitindo que muitos possam descobrir que há muito mais na internet do que o Facebook, os sites de fofocas e tragédias, o horóscopo e a previsão do tempo. É claro que não mudaremos o mundo, mas, dormimos tranquilos a cada dia, com a certeza do dever cumprido, de termos feito nossa parte, de termos dado nossa contribuição. Se você, que nesse momento lê esse editorial, também se dedicar a esse propósito, nem que seja por um pequeno momento de cada dia, juntos poderemos então mudar o planeta.

Estamos chegando em uma fase na qual a inovação somente será considerada inovação se tiver sido criada antes de nascermos. Já não nos surpreendemos com mais nada que o homem invente. Não há mais surpresas como foi a invenção do avião, a primeira viagem à lua ou ao fundo do mar. Estamos conscientes que a tecnologia permite tudo, ou quase tudo, e que o limite é apenas a mente do próprio homem. Quanto mais compartilharmos o conhecimento e mais utilizarmos a tecnologia de forma adequada, mais rapidamente os avanços acontecerão.

A tecnologia está fora de controle? Entendo que não. O que está fora de controle somos nós. Somos vigiados por agências dos governos, que sabendo da importância da tecnologia armazenam metadados de chamadas feitas por telefones, de conteúdos de websites visitados, de e-mails enviados e recebidos, e, até mesmo, dados que sequer chegamos a enviar ou a transmitir. Se, dos espiões esperamos que espionem (mesmo que não imaginássemos em que escala), das “inofensivas” redes sociais, o mínimo que esperamos é transparência. E nem isso temos. O Facebook armazena as mensagens não publicadas, e o Gmail admite, embora no escondido item “Anúncios no Gmail”, que lê os conteúdos dos e-mails. Mas tranquiliza-nos: “Nenhum humano lê o seu e-mail. Só uma máquina”.
E, amigos, está na hora de nos tornarmos mais seres humanos, e menos máquinas. Pelo menos, menos escravos delas...

 

 

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