Saúde constata 200 casos de sífilis; 10 crianças nasceram com a doença

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FOZ DO IGUAÇU - PR - O programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) da Prefeitura informou nesta segunda-feira (31) que Foz do Iguaçu já registrou mais de 200 casos de sífilis em adultos. Pelo menos dez crianças foram contaminadas e nasceram com a bactéria treponema pallidum, causadora da sífilis. A coordenação do Programa Municipal de Pré-Natal diz que todas têm sequelas como problemas cardíacos, ósseos e mentais. "As crianças que nasceram com sífilis tem até dois anos de idade e estão sendo acompanhadas, mas os problemas são irreversíveis. Algumas nasceram cegas e surdas", revelou a ginecologista obstetra Carla Lebiedziejewski, coordenadora do programa de Pré-Natal.

O Ministério da Saúde garante que o país vive uma epidemia de sífilis, considerada uma das doenças mais antigas da humanidade. Os dados preocupantes foram expostos em treinamento dos profissionais de saúde, que durou três dias.

Médicos e enfermeiros das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) foram orientados a notificar todos os casos, aumentando a atenção ao diagnóstico de gestantes, diminuindo o risco de transmissão vertical. A sífilis congênita, transmitida de mãe para filho, ocorre durante a gestação ou parto. A doença provoca aborto, parto prematuro, malformação do feto, deficiência e morte.

O índice de casos infantis no município é considerado alarmante, já que a doença tem tratamento eficaz. "Quando a sífilis é diagnosticada e combatida nos primeiros meses de gravidez, a chance da criança nascer com problemas é muito pequena", explicou a médica. "É possível combater a doença até 30 dias antes do parto para que o feto seja considerado tratado", completou. Durante a gravidez, a mulher deve solicitar o teste rápido, disponível em todas as UBSs, e cujo resultado sai em 30 minutos. Mas não são somente as gestantes que precisam se preocupar. "Os maridos ou companheiros também devem ser diagnosticados e tratados para interromper a transmissão e garantir a saúde do bebê", advertiu Carla.

O Comitê Municipal de Controle da Mortalidade Materno-Infantil, que investiga mortes de mães e filhos, não registrou óbitos este ano decorrentes da doença. Em 2015, uma criança nasceu e morreu logo em seguida. A mãe, uma adolescente de 16 anos, tinha sífilis.

“Precisamos intensificar os trabalhos juntos às comunidades para identificar as gestantes desassistidas e encaminha-las ao posto de saúde, de forma que todas possam fazer o pré-natal, diagnosticar e tratar a doença. Os agentes comunitários têm um papel muito importante nesse processo, já que vivem nos bairros em que atuam e conhecem os moradores”, afirmou a secretária municipal da Saúde, Patrícia Foster, que vai solicitar aos supervisores dos distritos sanitários atenção ao problema.

Estatística em Foz

De junho a setembro deste ano, foram registrados 201 casos positivos de sífilis em adultos. A maior parte dos diagnósticos, 127, foi feita no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), junto ao Centro de Especialidades Médicas (CEM), na Av. Paraná. Os outros 74 foram nos postos de saúde. "Algumas unidades definiram dias ou turnos específicos para a realização do teste, de acordo com a disponibilidade da equipe de enfermagem, mas todos os postos municipais têm os testes rápidos", disse Rozineide Batista dos Santos, responsável técnica pela Atenção Básica.

Preconceito

Cercada de preconceito, a sífilis anda na contramão dos preceitos do Programa Saúde da Família (PSF), de construção de laços entre paciente e profissional da saúde. "Muitos moradores conhecem os médicos e enfermeiros de sua unidade de referência, desenvolvendo uma relação de amizade com esses profissionais, e tem vergonha de buscar o diagnóstico", revelou o coordenador do programa de DST/Aids, Wanderley Furtado.

"Quem se sente constrangido em procurar o teste no posto mais perto de casa por causa da relação de amizade com os profissionais, pode recorrer a qualquer unidade, inclusive o CTA, basta levar documento pessoal", orientou. Furtado também ressaltou que o uso de preservativo durante a relação sexual é a única forma de prevenir a doença.

O Ministério da Saúde admite que o Brasil enfrenta uma epidemia de sífilis, doença presente na humanidade 600 anos antes de Cristo. Só no ano passado, foram registrados mais de 65 mil novos casos no país. Em 2015, a cada mil bebês, 6,5 eram portadores da doença. Cinco anos antes, o índice era de 2,4 bebês infectados a cada mil nascimentos. O tratamento é feito com a aplicação intramuscular de penicilina benzatina (Benzetacil), e deve ser iniciado apenas com o resultado do teste rápido, sem necessidade de exame confirmatório. O tipo de antibiótico, a via e a dosagem são definidos pelo médico especialista a partir do estágio da doença.

Sintomas da sífilis

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível que tem várias manifestações clínicas e diferentes estágios. Os sinais primários são feridas (normalmente apenas uma) no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele) que aparecem entre dez e 90 dias após o contágio. O ferimento não dói, não coça, não arde e não tem pus.

Na fase secundária, entre seis semanas e seis meses, a ferida cicatriza espontaneamente, podendo surgir manchas no corpo, especialmente nas palmas das mãos e plantas dos pés, e ocasionalmente ínguas na virilha.

Se não tratada, a sífilis evolui para a fase assintomática, em que os sintomas desaparecem. A duração é variável, podendo surgir sinais das fases primária e secundária

 

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