Câncer de mama? O que você precisar saber

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Nesse mês de outubro em que se acentua a campanha de prevenção contra o câncer de mama, devemos relembrar alguns paradigmas e as mudanças de hábitos que deles advêm. Alguns mitos devem ser desfeitos para que cada vez mais pessoas se conscientizem da necessidade da prevenção como o principal meio contra a doença.


1- Tenhamos em mente que homens também podem desenvolver o tumor mamário. Embora mais raro, o câncer mamário pode acometer sim os homens. Existem algumas vantagens do sexo masculino. A primeira é que glândula mamária masculina é bem mais escassa do que a feminina, por conta dos fatores hormonais. Isso torna o exame de palpação mais fácil. A segunda vantagem é que os tumores mais agressivos estão relacionados aos hormônios femininos. Como se percebe, o que se configura numa vantagem masculina também se traduz em desvantagem feminina. Daí a campanha ser direcionada maciçamente para as mulheres. Lembrarmos os homens desse detalhe importante pode fazê-los mudar os seus conceitos em termos de prevenção, procurando ajuda médica ao notar nodulação ou espessamento em uma ou nas duas mamas

2- Outro mito que deve ser desfeito é que “a prevenção evita o câncer”. A prevenção não evita a doença, mas faz com que, se surgir, esteja num estágio muito inicial a ponto de poder ser tratado e curado. Exemplo: Uma mulher que é diagnosticada com um pequeno nódulo que antes não existia, imediatamente é tomada por uma sensação de impotência, negação e incredulidade nos próprios métodos de diagnóstico, podendo pensar: ”mas eu fiz exame o ano passado e não deu nada”. Tanto as mamas quanto os outros órgãos do corpo humano são vivos e portanto mutáveis ao longo do tempo. Dependendo do órgão e da agressividade do tumor, esse tempo pode variar. Dessa forma, há tumores que se desenvolvem em meses e outros que levam anos ou até mesmo décadas para se manifestar. Daí a importância do exame médico que mostrará a necessidade ou não de se fazerem exames complementares, como os exames de sangue, a mamografia e a ecografia. Como regra geral, e toda a regra tem exceção, o histórico da paciente e o exame palpatório são suficientes para se detectar nódulo tumoral. Se for detectado, ecografia e mamografia são pedidas para ver o provável tipo de tumor e o seu tamanho. Se necessário, uma biópsia é realizada para saber a linhagem do tumor. Importante salientar que nem todo nódulo é câncer. Aliás, a grande maioria dos nódulos não é. Existe um protocolo a ser seguido, conforme a idade, o histórico e os achados da palpação. No que se refere à prevenção pura mesmo, hábitos saudáveis podem sim diminuir a incidência da doença: Alimentação saudável (o mais natural possível), não fumar, não beber em demasia, praticar exercícios e amamentar. A amamentação é sabidamente um fator protetor, lembrando, mais uma vez, que todas essas medidas poderão não evitar a fatalidade da doença, porém diminuirão os riscos de ela aparecer, e se aparecer, as chances de cura serão muito maiores.

3- A auto palpação é um método válido porém limitado. Alguns estudiosos entendem que isso seria uma transferência de responsabilidade do médico para a paciente, a qual poderia confundir-se na apreciação do que é ou não um nódulo verdadeiro. Em termos práticos, a mulher pode e deve apalpar as próprias mamas, mas isso não substitui o exame mais minucioso e direcionado do médico.  Esse entendimento torna-se mais claro naquelas mamas volumosas, em que um nódulo poderia estar oculto na sua porção mais profunda.

4- A ideia de que o câncer mamário acaba com a mama e com a vida da pessoa também já não tem lugar nos dias atuais. Diagnosticado precocemente, o câncer pode ser curado retirando-se somente um fragmento mamário. Há casos em que a mama toda deve ser retirada, dependendo da idade, linhagem do tumor, disseminação ou não para outros órgãos. A radioterapia e quimioterapia também dependerão desses fatores. Nem toda quimioterapia faz caírem os cabelos, nem toda ela dá os mesmos efeitos colaterais. Como vemos, não há um só tipo de câncer e por isso o tratamento também deve ser personalizado. As mulheres devem ter em mente que o tratamento deu um salto gigantesco nos últimos trinta anos, o que se traduz numa expectativa e qualidade de vida muito boas.

5- Os implantes de silicone (chamadas popularmente de próteses de silicone) não impedem o exame mamário, tanto palpatório, quanto de imagem, porém, não deve haver exageros no tamanho desses implantes. Se muito volumosos podem diminuir a sensibilidade desses métodos diagnósticos. O melhor caminho para evitar esses exageros é deixar a cargo do cirurgião plástico, para que ele veja o tipo de implante, tamanho e a técnica cirúrgica que será utilizada, dentro dos critérios de proporcionalidade corporal e funcionalidade do órgão e do tórax como um todo.

6- Cistos mamários simples são um tipo de nódulo benigno, assim como o fibroadenoma. Podem aparecer em qualquer faixa etária e geralmente são de fácil diagnóstico pela ecografia. Um nódulo inicialmente diagnosticado como fibroadenoma passa a ter crescimento desordenado, contornos irregulares e aumento da vascularização que são sinais de alerta e devem ser mais bem estudados pela mamografia, ressonância magnética e às vezes é necessária uma biópsia para dirimir dúvidas.

7- As mamas são órgãos vivos que modificam sua estrutura morfofuncional ao longo do tempo. São influenciadas por fatores genéticos, hormonais, vitamínicos e pelos fatores externos já abordados (cigarro e outra drogas). As reposições hormonais em mulheres pós-menopausa não causam o câncer, mas podem fazê-lo aflorar e ficar mais visível. Isso porque, fazendo a reposição, é como se estivéssemos retornando a mulher para o período reprodutivo, época em que os hormônios são mais atuantes.  Nos tumores hormônio-dependentes (que não são todos) esse afloramento pode ocorrer.
   
   
8- Finalmente, é de fundamental importância a difusão de informações pertinentes na sociedade para que possamos cada vez mais chegar “a tempo” de curar totalmente um câncer.
 
Um feliz mês de outubro a todos!

Mohmad Omar Ellakkis
Médico titulado pelo CBR
CRM:12.164
TE: 19.468

 

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