Avanços na Terapia da Doença Renal Crônica: Hemodiálise de Alto Fluxo e Hemodiafiltração

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A hemodiálise é um dos maiores avanços da história da medicina. São poucas as situações onde o desenvolvimento de uma terapia modificou de forma tão drástica a evolução de uma doença. Neste tratamento, máquinas passam a filtrar o sangue quando os rins doentes não podem mais fazê-lo. Em verdade, os rins são os únicos  órgãos nobres do organismo que podem ser substituídos por uma máquina. Quando ocorre falência de órgãos como o coração, cérebro, pulmões, fígado, dentre outros, a única saída para manter o paciente vivo é o transplante.

As primeiras experiências com a hemodiálise se deram nas décadas de 40 e 60. Em 1965, havia na Europa apenas 150 pacientes renais crônicos em tratamento (sem mencionar os milhares que morreram por falta de atendimento e pelo desconhecimento médico).

Desde então, houve grande aceleração no desenvolvimento dos conhecimentos tecnológicos relacionados aos rins, e o foco dos médicos passou a ser com a qualidade de vida dos pacientes, procurando recuperar o sentimento de saúde e possibilitando seu retorno às atividades sociais e laborativas.

As máquinas foram ficando cada vez mais seguras e os filtros capilares ou dialisadores usados nas sessões de diálise passaram a ser construídos com materiais mais biocompatíveis, resultando em menor reação do organismo.

Até mesmo a qualidade da água usada na terapia (120 litros a cada sessão) se mostrou de fundamental importância e equipamentos como a osmose reversa passaram a fazer parte dos sistemas de tratamento da água.

Atualmente, segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), em todo mundo, 500 milhões de pessoas sofrem de problemas dos rins, e 1,5 milhão delas estão em tratamento de diálise. No Brasil, estima-se que aproximadamente 130.000 estão em diálise. Com essa realidade, é de suma importância o conhecimento do que há disponível hoje no mercado mundial em termos de terapias e de novas tecnologias para o tratamento de diálise.

Hemodiálise Convencional
A Hemodiálise Convencional se baseia em um processo físico chamado Difusão, onde substâncias tóxicas acumuladas no organismo - sal, ureia, fósforo, potássio, por exemplo (toxinas urêmicas) -, passam do sangue do paciente para o líquido de diálise, através dos poros dos filtros capilares ou dialisadores. Assim, o sangue é filtrado, voltando mais limpo para o organismo. A limitação deste processo é o tamanho dos poros dos filtros, que são bem pequenos, não permitindo a filtragem das toxinas de tamanhos maiores.

Hemodiálise de Alto Fluxo
Recentemente, a partir da criação de filtros capilares com design avançado e poros dezenas de vezes maiores que os usados até então, temos o que chamamos de Diálise de Alto Fluxo.

Diferente da Hemodiálise Convencional, esta permite a retirada de toxinas urêmicas maiores, além das menores, e incorpora um novo processo físico, além da difusão, denominado CONVECÇÃO, que consiste na filtração de grandes volumes de líquido (até 10 litros) que literalmente arrastam consigo as toxinas urêmicas (este processo é chamado de hemodiafiltração).  

Na Hemodiálise de Alto Fluxo, este processo ocorre todo dentro do filtro capilar, de uma forma muito segura, e não necessita da reposição do que foi filtrado.

Nota-se que neste tipo de terapia, a qualidade da água é fundamental. Um pré-tratamento adequado seguido por duas osmoses reversas em série é complementado pelos filtros existentes nas máquinas.

Hemodiafiltração de Altos Volumes
É uma nova forma de tratamento que usa a convecção de forma mais agressiva, consistindo na retirada de grandes volumes de filtrado do sangue, usualmente acima de 20 litros por tratamento, sendo necessária, obviamente, a reposição mecânica (fora do filtro capilar) de quase todo esse volume.

Em alguns países da Europa, particularmente a Alemanha, já existem centros que disponibilizam esta forma de tratamento. Nos Estados Unidos, a nova terapia não foi aprovada pela legislação até o presente momento.

No Brasil, menos de 1% dos doentes renais crônicos estão sob esta terapia, que ocorre principalmente em hospitais universitários e ligados à pesquisa.

O método é interessante e promete acrescentar vantagens ao tratamento do renal crônico. Entretanto, no momento atual, o consenso da comunidade científica é de que se aguardem novos estudos que comprovem de forma inequívoca suas vantagens e segurança.

Fontes :
1. KDOQI Clinical Practice Guideline for Hemodialysis: 2015 Update.
2. UpToDate
3. John T. Daugirdas – Manual de Diálise

 

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